Dominic Barter | Milênio Globo News | 02-01-2017



a questão da violência é algo bastante presente no cotidiano dos brasileiros é claro que para as camadas mais pobres mais presente ainda mas em qualquer estrato social ela vai ser um problema ea intensidade dessa violência os números os índices são assustadores hoje a gente veio pra um lugar bem tranquilo no rio de janeiro a urca que tem baixos índices de violência até porque tem quartel aqui do exército tem uma presença militar forte e poucas saídas mas a gente vai conversar aqui com o pesquisador dominique bater que pesquisa desenvolve mecanismos de enfrentar e lidar com a violência que não sejam apenas o enfrentamento policial como a gente conhece e pra falar um pouquinho dessas alternativas é que a gente se reuniu aqui do antigo cassino da urca onde dia título europeu do design para este milénio [Música] dominique é brigado por falar com a gente aqui do milênio queria começar pelo princípio do seu trabalho que é chamada comunicação não violenta sem explicar pra gente um pouquinho esse conceito o que ele é e para que serve a violência dói né quando a gente fala sobre quando a gente gosta nossas vidas diárias e na vida do país é um elemento que nos preocupa e tudo mais a não-violência chama nossa atenção para outro lugar como a gente pode dedicar nossas forças nossa inteligência nossa influência nossa atenção para os lugares que realçam a vida que celebram o que é possível quando a gente decide viver trabalhar e colaborar juntos e isso mesmo uma situação como a brasileira quer dizer que a situação de crise quase que permanente de violência os índices nas grandes cidades são absurdos a gente tem um índice de homicídio anual que menos 60 mil por arma de fogo como introduzir conceitos que têm a ver não com o enfrentamento mas com a conversa nesse contexto vai ser exatamente nesse contexto que a gente precisa na resposta que se orienta pelo diálogo então nessas situações o que é necessário desenvolver são espaços em que volta é possível a gente reconhecer que conflito faz parte natural da convivência social não ter mais a versão há conflito e começa a compreender o que conflito nos chama a atender e de ouvir o que os outros estão dizendo para que aquilo que se tornou violência volta a ser o que era antes uma conversa uma tentativa de cuidar de todo mundo uma outra complexidade no caso brasileiro a gente está aqui na urca o lugar bucólico belíssimo é cercado de paisagens bonitas e turísticas mas a gente sabe que aqui bem pertinho a poucos quilômetros pra onde quer que a gente vá a gente vai encontrar comunidades aonde nenhum descer 10 nenhum dessa infraestrutura básica urbana para o convívio entre as pessoas existe falta desde esgoto até luz passando pela presença do estado é proativa idade como conseguir superar esse apartheid econômico que a gente tem no brasil pra falar de não violência é tanto nas violências estruturais que a gente vive mas igualmente nossas nosso dia de nossas relações interpessoais na família no trabalho e igualmente dentro de nós da forma que a gente se trata a gente vê muitos exemplos de uma lógica de dominação que orienta maneira que as pessoas agem então sim superficialmente tem alguns elementos no bairro como o cuca que são ausentes em outros mas entre as pessoas e por dentro ainda pode ter muito sofrimento muita falta de escuta e do estabelecimento de relações de parceria então a não violência nos procura olhar sempre tanto no estrutural quanto no inter pessoal tanto dentro de nós para entender como nós podemos criar espaços de empatia e de verdade onde as pessoas podem descobrir o que é mais gostoso sobrevida mas são os valores que nos orienta todos ao longo dessa sua experiência trabalhando com esse tipo de diálogo é qual a importância desse conceito você falou da empatia empatia com as pessoas no geral parece apenas algo que disse você gostou ou não daquela pessoa de cara mas aonde que esse conceito entra na discussão da não-violência do diálogo e da superação de problemas de violência gravíssimo disse extremamente importante né a simpatia a gente conhece no brasileiro tem merecidamente uma fama mundial pela simpatia a empatia é algo diferente na empatia eu estou procurando conectar com aquilo que a gente compartilha apesar de todas as diferenças que nos distingue então a empatia minha capacidade de reconhecer você na sua humanidade e vibrar dentro com as coisas que vibram pra você igualmente em lutar as coisas que pra vocês são tristes o ou pedras então essa disponibilidade de estar presente com a experiência do outro sem tentar mudá-la é educá lá é resolver as questões delas em está sempre correndo atrás de uma solução mas simplesmente está com o outro na sua espera de vida isso muitas vezes está perdendo no nosso dia a dia ela ela correria e pelé se olhar constante na produtividade e nos resultados então empatia é a volta de uma qualidade de processo de convivência qual é a importância de um olhar específico sobre a educação para trabalhar o conceito como esse da empatia a gente às vezes dá a impressão que o sistema de educação estratificado como nós temos e ainda mais separado educação pública pra pobre educação particular pra quem pode pagá las em torna tudo mais difícil como junto à educação isso a gente aprende como conviverem em casa na rua na escola nem um pouco cada vez mais através da mídia então essas pastas são extremamente importantes porque a gente forma todos nossos conceitos de orientação de relação com o outro ali então a escola tem um enorme papel uma potência magnífica prestar ajudando as pessoas entender que o conflito não é pra ser temida pelo menos se um dia talvez a gente quer viver numa democracia nós vamos precisar fazer as pazes com um conflito faz parte da vida e na escola as pessoas podem viver isso eles podem beber práticas extrativas eles podem viver um momento de diálogo de entendimento dentro da sala de aula mas também tento da convivência normal do pátio do corredor da escola tem um papel muito importante a gente foi pra algumas outras cidades do brasil as linhas que dividem os lugares onde há mais conflitos sejam jamais carências mais problemas sociais e os lugares onde esses problemas aparecem menos porque são lugares mais ricos ou com mais infraestrutura essas linhas são muito claras a cidade do rio de janeiro tem essas linhas muito misturadas no meio de um bairro rico você tem comunidades pobres no meio da comunidade pobre surge um condomínio de classe média e classe média alta você acha que essa geografia pode facilitar de alguma forma a circulação também da informação ele pode facilitar como é também pode facilitar os níveis de violência que a gente tiver não são poucos lugares no mundo e na história é sempre a mesma coisa onde foi permitido que as pessoas mais carentes de recursos materiais ocupavam os lugares de geograficamente mais alto não é isso cria uma um cenário onde a cada 18 meses morre mais jovens no rio do que em cinco anos do que está aí estamos vendo no alerta vermelho né somos 20 em 2008 por cento da população mundial cometendo 3,9 por cento de todas as mortes do mundo e só para não perder aqui dominique é o pé nesses dados que são realmente impressionantes vamos dar uma olhada nos números que a gente tem sobre mortes na síria um país em guerra civil há mais de cinco anos e mortes no brasil um país teoricamente não em guerra esses dados podem não parecer suficientemente chocantes então vale lembrar que entre 2011 e 2015 o brasil registrou mais mortes violentas do que a síria foram 278 1839 entre assassinatos mortes em consequência de assaltos lesão seguida de morte ou mortes e episódios envolvendo a polícia no mesmo período a síria em guerra deve 256 mil 124 mortes violentas em apenas um ano 2015 cinquenta e oito mil trezentos e oitenta e três brasileiros foram mortos violentamente um assassinato a cada nove minutos 160 assassinatos por dia 28,6 mortes violentas para cada 100 mil habitantes você mencionou o início dos anos 90 o brasil sua relação como é que começou essa sua curiosidade com o brasil e até você chegar ao ponto de poder para trabalhar com isso neste país eu me apaixonei não é minha teoria secreta que todo gringo está aqui em algum momento se apaixonar o brasileiro brasileiro então me apaixonei foi seguindo ela quando ela voltou pra cá e cheguei 92 nem vi o s essa cidade que é tão incrível de tantas sentidas mas que é tão sofrido na não só como você falou à tarde social racial e tudo mais que vive então eu queria ficar aqui mas eu queria fazer alguma coisa e não sabia o que fazer né eu lembrei uma conversa que eu tinha visto de volta na europa há alguns anos antes uma conversa entre um casal na rua eles começaram a discutir e quando eles estavam se não se entendendo eu vi que o volume da voz de cada um argumentou eu achei estranho porque eles estavam na mesma distância de um do outro se um deles foi muito longe e faz sentido levantar a voz mas quando a gente está aqui pertinho o que a gente começa a gritar então de volta no rio no início dos anos 90 eu fui olhando essa situação e pensei será que a violência está agindo do mesmo jeito será que isso é uma conversa que há 500 anos a gente está tentando até aqui e cada vez que outra não escuta bota grade bota distanciamento usa lei dinheiro e todas as outras culturas para separar as pessoas cada vez que isso acontece outro aumento do volume da voz até que comece a usar a estratégia mais eficaz para chamar a atenção de alguém violência nas primeiras dez segundos violento e extremamente eficaz porque chama a sua atenção depois disso é a pior estratégia possível do que ele colocou o conexão entre a gente que faz todo o resto possível igual no celular que só funciona com sinal a agente também precisa alguma coisa compartilhado para poder entrar em colaboração em parceria então pensei se a violência social no rio está funcionando desse jeito então eu tenho que fazer alguma coisa totalmente contra intuitiva eu tenho que prass é mais seguro me aproximar dos lugares onde tem mais medo de ir eu tenho que ir para os lugares onde eu estou avisados a não ir encontrar as pessoas que todo mundo me disse que eu preciso evitar então eu fui e comecei a escutar e escutar e ouvir as pessoas e descobrir que a verdade o maior qualidade na minha relação com os outros o mael que a gente descobre que a gente compartilha sem precisar se restringisse é conservador nossas escolhas de vida mas a gente é capaz de ver a humanidade do outro o mais seguro todos nós ficamos então essa foi meu caminho nem comecei me apaixonando por um depois me apaixonei para os outros 200 milhões bom né seu trabalho já longo mais de duas décadas pelo diálogo pela comunicação não violenta você já teve em muitos lugares no brasil e fora dele a gente vai falar um pouco de exemplos práticos da aplicação dessas técnicas de enfrentamento da violência com o dominique mas é daqui a pouco no próximo jogo [Música] milena está de volta hoje conversando com dominique pathé ea gente continua falando de diálogo de comunicação não violenta de círculos restaurativos agora a gente mudou de ambiente saímos do terraço do ied istituto europeo di design aqui no rio de janeiro e vemos para uma das salas de aula há onde acontece a experiência espaço beta uma experiência de educação que têm a ver com todas as ferramentas que a gente está falando falando um pouco mais das aplicações práticas dessas ferramentas que a gente vem tocando aqui nessa conversa você teve uma experiência com as unidades de polícia pacificadora no rio de janeiro que é um projeto de uma mudança no jeito de fazer policiamento em comunidades carentes em favelas que previa uma presença policial mais forte de uma nova polícia com depois da chegada do estado em outras formas e hoje em dia esse modelo para muita gente está em crise para outros houve avanços sensíveis como foi essa sua experiência como muitas pessoas eu olhei proposta do pps no início com bastante cautela não é qualquer um que convive com a situação das favelas no rio e também que tenha um entendimento sobre a situação em que o policial do dia a dia se encontra tive que ter muita cautela mas eu também vi uma possibilidade de uma maior aproximação entre a comunidade e as pessoas que estavam dentro da fada o ser humano que está procurando fazer o trabalho de polícia não de força bélica então o tribunal chama me chamou pra está apoiando o desenvolvimento do nosso justiça do tribunal de justiça do rio me chamou pra apoiar o desenvolvimento de núcleos de mediação dentro do pps então nesses ambientes policiais num serviço mas agindo como mediadores podiam ajudar diferentes conflitos na comunidade que surge naturalmente o dia a dia em qualquer lugar a série resolvido de uma forma satisfatória para todas as partes e essa proposta foi muito inovador teve muito sucesso mas é como muitas outras coisas sofreu as limitações que a própria proposta do ps sofreu na principalmente o fato que o dito o pps social não acompanhou não desenvolveu para criar a base sustentável dentro da comunidade de uma forma que não era simplesmente policial mas que era chegada de todos os diferentes serviços e falando então pouco mais de exemplos práticos é que tem a ver com o uso do diálogo para resolver questões teve um episódio em que você teve o envolvido que ganhou bastante repercussão na mídia que é a história de um carteiro assaltado por um adolescente que levou o celular dele e essa história graça o uso talvez intuitivo inicialmente de uma comunicação não violenta teve um final diferente do que acontece muitas vezes como é que foi esse caso sim isso é um caso que requer o aqui no rio é esse caso ficou conhecido na época não era qualquer caderno que teve o celular levado mas uma figura que sabe se comunicar e tem uma imensa preocupação com o cuidado social menino pegou meu celular pela janela eu olhei pra trás ele olhou pra mim assim no momento que ele olhou e falou bem aí eu tomei um susto quando convém como assim tão boa aí as pessoas pegarem começar a bater nele a população seguro quando ele pegou também tipo veja muitas coisa que acontecesse um soco na cara alguém muito bico do túnel um susto muito grande que tipo nunca tinha passado por isso falando gente já bateu mas ele ou eu vou ter uma foi a mim quando eu tô tranquilo vamos pegar vão aprender mas não vou bater não vou deixar o menino ea ele estava lá eu perguntei ao rapaz por semana onde cara por moro na mangueira foi focada na mangueira como na maneira que eu sou compositor e cantor da mangueira cara david teve então a certeza de que precisava fazer algo pelo garoto e os dois voltaram a se encontrar nesta semana na audiência que definiria o destino do jovem infrator saia o resultado ajuda a decisão já é acho que sua participação na audiência foi fundamental e vai ser encaminhado com a medida em que ele vai ter um mês e me aberto ele vai ter a possibilidade de trabalhar está nos finais de semana e para casa sem medos sem magos com um aperto de mão e abraços de 12h desse total fazendo por mim o portal acreditam que eu possa mudar sei que se eu ficar tranquilo que eu vou desistir de você enquanto você desista nesse caso a gente teve a oportunidade para montar o início de um processo de seqüestrar ativo isso que agora a gente espera com a resolução do conselho nacional de justiça 225 que organiza a implementação de justiça restaurativa no brasil nós procuramos que isso seja um caso isolado mais um caso que vai continuar é uma oportunidade para que o adolescente nesse caso a pessoa que teve seu objeto levado ea comunidade impactado pelo aquilo que aconteceu podem se juntar para dialogar sobre a situação e pensar criativamente sobre os passos que precisam ser feitos a seguir para mudar a realidade das pessoas falando ainda sobre os tais círculos restaurativos dominique é é uma experiência que a gente sabe não se restringe ao brasil você teve claro atuando muitíssimo aqui mas nas questões do brasil fala um pouquinho pra gente é dessa aplicação prática em outras situações que não da violência brasileira a gente vai te usam a imagem depois do telão aqui que tem a ver com a experiência toda assim a resposta não violenta à conflita procura aproximar as pessoas em vez de licenciar los na tanto em casa no trabalho na escola como no justiça formal nossa resposta é organizar em separar as pessoas e as vezes de puni las com a idéia de que isso traz mais segurança comunitário mas poucas vezes a gente vê aqui é seu resultado então tanto no brasil quanto no estrangeiro a gente tiver muitas aplicações de essa imagem que temos aqui uma imagem claramente no continente africano agora isso onde tem várias culturas idiomas envolvidas uma complexidade de uma disputa e até para preservá los desenvolvido o tipo de negociação em andamento a gente não pode entrar muito imprecisões maiores sobre do que estamos falando assim porque em 3 ante fé como precisamos um contexto sistêmico seguro para quem uma prática restaurativo como os ciclos podem surgir ser válido e às vezes envolve uma certa proteção para as pessoas envolvidas na nossa aplicação aqui no rio não em outros lugares no brasil com os tribunais por exemplo sempre tenha ficado tela com a a a proteção das pessoas agora essa imagem você mencionou rapidamente hoje nessa imagem específica quem é que está participando e o que está sendo discutido em grupos rebeldes aqui tem representantes do exército alguns desses grupos rebeldes lutando guerreando entre si o que foi interessante aqui e um dos primeiros encontros a gente faz um encontro chamado pré ciclo antes de todo mundo se junta uma roda o que a gente pode ouvir cada um essa essa atenção com a escuta é profundamente transformativo quando a gente resgata a capacidade de uma atenção empate quebrou outra pessoa não concordando nem discordando com ela foi um desses encontros que um dos rebeldes falou da minha colega se mazeti trabalhando comigo nisso o seguinte fala dele disse às vezes a única maneira de fazer com que alguém te escuta é de matá lo um comentário chocante e no mesmo tempo tem uma estranha lógica nosso dia a dia muitas vezes a gente acha do mesmo jeito a gente corta colega tem membro da nossa família com que a gente não conversa muito tempo procurando de uma certa forma matar essa relação como maneira de alertar eles de que a gente não está bem é resultado é trágico sempre que isso acontece então através de uma escuta da preocupação deve que ele nunca seria compreendido no amor que ele tinha para o seu tempo na sua terra da independência que ele procura por essa terra foi possível juntar as pessoas e ter uma conversa em que as opiniões se diferencia mas o reconhecimento da imunidade do outro está presente e partir daí nossa criatividade para poder imaginar estratégias novas floresce e fica muito muito mais forte o que alimenta a tua esperança nesse trabalho o combustível de um trabalho não violenta é a gratidão é de ver a transformação aconteceu tiver o aluno que chega no espaço beta tenso cada vez mais a gente tiver é o desenvolvimento de condições de muito estresse entre alunos e entre a universitários também de ver alguém chegando e depois de poucos dias aqui na escola que respeita a inteligência e o intuito o desejo de criar ela tiver ela se transforma o relato dela pelas altas relato dos pais ou tiver aquele momento tão significativo em que um grupo de pessoas saem de uma sala no fórum e vão até o elevador pessoas que não podiam estar na mesma sala antes de você em breve momento de uma pedra de mão a gente não esquece os horrores que a gente comete um do outro não é isso não é que as pessoas vão ser amigos mas é ver que eles são capazes de conviver apesar de tanta dor de tanta destruição muito obrigado o gol [Música] o [Música]

3 thoughts on “Dominic Barter | Milênio Globo News | 02-01-2017

  1. Muito sensibilizada e emocionada por este trabalho! Sem dúvida, é gratificante ver a transformação que a comunicação não violenta pode fazer!

  2. A melhor explicação sobre EMPATIA que já ouvi. O trabalho do Dominic Barter é TUDO DE BOM!!!

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